Uma das referências européias mais antigas, sobre a arte do tricô, é a pintura do séc. XIV de Mestre Bertram, “A visita do anjos, no retábulo do altar de Buxtehude”, onde a Virgem Maria é retratada tricotando com quatro agulhas. A década de 70 trouxe o retorno ao tricô artesanal que permanece até hoje
O tricô é uma técnica para entrelaçar o fio (de lã ou outra fibra têxtil) de forma organizada, criando-se assim um pano que, por suas características de textura e elasticidade. Pode ser feito manualmente, com duas agulhas ou através de máquinas próprias, o que também resulta num pano muito semelhante à malha manualmente tecida. Embora seja difícil traçar sua origem a arte de tricotar tem uma história antiga e fascinante. Consta que tecidos das antigas culturas peruanas de cerca de 900 a.C. a 600 a.C. foram feitos à mão, assim como algumas meias para sandálias coptas do século IV a.C., encontradas em uma tumba egípcia.
Esta arte nos esquenta no inverno e nos deixa na moda. Para muitos, além de um hobby é uma maneira de ajudar na economia doméstica. Neiza Lenir Gutin, 44 anos, tricota há quase 30 anos, começou a fazer tricô em função dos filhos, hoje adultos, “depois passei a fazer para a família inteira”, diz ela. Neiza, que já ensinou para outras pessoas, se tivesse filhas teria ensinado também, “mas não é tão fácil, porque o tricô tem muitos macetes, de acabamento, diferentes pontos, segredinhos para iniciar e concluir. Um trabalho manual que, para mim, é um dos mais criativos”, comenta. Como veio de uma família de agricultores, sua mãe não fazia tricô, ela aprendeu com uma irmã, “aprendi com ela e nunca mais parei, somos em 8 irmãs e quase todas fazem”, explica a artesã.
Para ela o tricotar é uma arte, “sou muito ligada à arte, pinto telas e dou aulas de pintura também, então minha vida é arte, gosto muito de fazer o tricô e ver outras pessoas fazendo. Para mim é um hobby que eu não consigo largar”, salienta Lenir. Além de ajudar na renda familiar, o tricô pode ser uma terapia e ajudar a fazer novas amizades, “faço muita amizade através do tricô, a gente vê alguém que está usando uma peça e diz: - ‘ah que bonito foi tu que fizeste?’ É uma forma de chegar na pessoa e acabar fazendo amizade”.
“Hoje tem uma gama muito grande de lãs, muita coisa importada, quando eu comecei a fazer tricô tinha uns 3 ou 4 tipos de lã, agora tu quase enlouquece quando entra numa loja que vende novelos, de tanta variedade e coisas bonitas”, fala Neiza sobre a variedade de novelos no mercado. Ela já fez muitas peças para vender, atualmente faz por encomenda, mas dá a dica “as pessoas que têm mais disponibilidade, tempo, conseguem ganhar bastante dinheiro tricotando”, finaliza.